Sertã ou frigideira, por Susana Silva
Casados de fresco e jovens, namoram sem parar.
Era amor, não fosse o ocaso de estarem juntos a cozinhar.
― chega-me a sertã. ― disse ela
E ele ficou a olhar, dando-lhe depois uma panela.
― Não é uma panela, é a sertã, se faz favor
Mas ele nunca tinha ouvido aquela palavra que lhe dava pavor.
É essa coisa redonda com um cabo na ponta
― É esta? ― pergunta ele, enquanto aponta
― pois que mais haveria de ser?! ― pergunta ela sem querer resposta
E ele fica com os nervos em franja à mostra
― Isso é uma frigideira, meu amor. ― diz ele num sentido clamor
E a colher de pau a voar
Bateu num testo que a fez parar.
E ele, perguntou saindo para a eira
Mas é sertã ou frigideira?
Susana Silva
